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Religiosidade

 

Capela dos passos da Paixão de Cristo - Portugal (foto: José Felipe Silva)Paixão de Cristo

 

Os últimos cinco dias que Jesus Cristo passou vivo foram emocionantes. Tanto para Ele como para seus seguidores

 

A entrada triunfal dele em Jerusalém na semana da páscoa judaica, os tumultos que sua presença causou ao redor do Templo Sagrado, as altercações com os fariseus, a última ceia, a traição, a prisão, o julgamento, a flagelação e a crucificação, tudo foi muito rápido, avassalador, compondo os atos do Drama da Paixão. Episódio trágico até hoje representado no mundo inteiro pelas comunidades cristãs. Na páscoa judaica, Jerusalém lotava. Estima-se que em situações normais a cidade não comportasse mais de 50 mil habitantes na época de Jesus Cristo. Todavia, durante as grandes festas judaicas, multidões vindas de todas as partes do País de Canaã chegavam a Jerusalém. As cercanias ao redor do Beit Hamikdash, o Templo Sagrado, tornavam-se um vespeiro humano com o entra e sai daqueles que para lá iam depositar suas oferendas nos altares santos e fazer as prostrações.

 

Vindo da Galiléia, Cristo decidiu-se por fazer uma entrada triunfal na Cidade Santa para afirmar publicamente que o seu reinado, ao contrário da monarquia herodiana, era o império dos simples. A multidão o recebeu como “o filho de Davi”, o lendário rei com o poder de fazer curas e operar milagres.

 

Em Jerusalém, Cristo se indignou com a presença de centenas de vendedores que ocupavam o pátio do Templo e negociavam de tudo. Agindo com o cajado na mão para afastar dali os profanadores, disse que aquele era um espaço para orar e não um mercado. A tensão aumentou ainda mais no dia seguinte. Instalado nas escadas do Templo para pregar a chegada do Reino dos Céus, logo atraiu a atenção dos escribas e dos fariseus, que questionaram a presença Dele naquele recinto.

 

Jesus sabia que não devia dar explicação aos burocratas do Templo, e em pouco tempo, declarou guerra ao comércio e à burocracia sacerdotal, tendo ao seu lado somente um punhado de seguidores que tinham vindo com ele desde a Galiléia.

 

Não só isso, lançando mão de algumas parábolas, profetizou que os judeus perderiam em breve o estatuto de ser o Povo Eleito de Deus (a mais explícita delas foi a dos “vinhateiros homicidas”, Mateus 21-22). Assim, não é estranho que o considerassem como alguém abertamente dissidente do judaísmo de então.

 

Entre um dia e outro,Ele se recolhia à casa de Simão, o leproso, na aldeia de Betânia, para mostrar a todos que nada podia assustá-lo. Os testemunhos indicam, todavia que o temperamento de Jesus se alterou. Tornou-se pensativo e tristonho. Em três ocasião alertara os discípulos que a vinda Dele para Jerusalém resultaria na sua morte e ressurreição (Mateus 16;17-18;19-20).

 

Na noite de quinta-feira, véspera da Sexta-feira da Paixão, no jardim de Getsémani, no Monte das Oliveiras, fez a derradeira reunião com seus apóstolos. Durante a ceia, quando se deu a Eucaristia, a partilha do pão e do vinho entre ele e os seus, previu a traição de um deles, a traição por trinta moedas de ouro de Judas Escariotes.

 

As denúncias recebidas por Caifás, o sumo sacerdote e principal autoridade teocrática judaica, obrigara-o a mandar deter Cristo. O fato dele se apresentar como Rei dos Judeus colocava-o na posição de agente subversivo: contra o Templo, que não lhe reconhecia nenhuma autoridade mística e contra o Governo dos Procuradores instalado por Roma, que naquela ocasião era exercido por Pôncio Pilatos. A briga com os vendilhões e as discussões públicas com os escribas selou-lhe o destino.

 

A Páscoa entre os cristãos
Esta data celebra a ressurreição de Jesus Cristo (quando, após a morte, sua alma voltou a se unir ao seu corpo). O festejo era realizado no domingo seguinte a lua cheia posterior al equinócio da Primavera.
Entre os cristãos, a semana anterior à Páscoa é considerada como Semana Santa, que tem início no Domingo de Ramos que marca a entrada de Jesus na cidade de Jerusalém.

O julgamento de Cristo, foi sumaríssimo. Levado na mesma noite à corte do Sinédrio, o grande tribunal dos anciãos, Caifás acusou-o de blasfemo. Crime punido com a morte. Se fosse seguida a lei mosaica ele seria lapidado. Os romanos encarregados de aplicar o ius gladii, preferiam a crucificação. Na presença de Pilatos, para a decisão final, ele não esboçou nenhum gesto de defesa e apenas “lavou as mãos”.

 

A turba que estava presente, na hora em que o romano lançou mão da venia, o direito de suspensão de uma sentença proferida, saudou o nome de Barrabás, um delinqüente local. Cristo, apupado, aceitou o martírio. No calvário até chegar ao Gólgota, a colina em forma de caveira situada fora da cidade, ele, além de carregar a cruz, passou pelo inferno das vergastadas e demais flagelos que os romanos costumavam aplicar aos sentenciados que padeciam na cruz. Somente as mulheres o acompanharam até o derradeiro suspiro para então ressuscitar no domingo de Páscoa.

 

 

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