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Escrita, papel, cópia e fotocópia
por Magno Soares

O papel facilitou o registro da linguagem escrita e mais tarde a cópia. Ele foi inventado no ano 105 d.C. pelo chinês T’sai Lun. Demorou cerca de mil anos para chegar a Europa e mais um pouco para ter seu uso disseminado. Os chineses também foram os primeiros a pensar em métodos mecânicos para facilitar a escrita. Em 1041 desenvolveram o tipo móvel (caracteres avulsos gravados em blocos de madeira ou chumbo), mas por terem um alfabeto ideográfico, com um número muito maior de caracteres, a idéia por lá, não foi adiante.

Em 1440, Gutenberg (1400-1468) cria a prensa utilizando-se dos tipos móveis, que eram rearrumados numa tábua para formar palavras e frases, depois entintados e o papel prensado contra eles obtendo-se as cópias. Após uma década, Gutenberg marca o início da produção em massa de livros no Ocidente com uma tiragem de 180 cópias da Bíblia. A partir daí a humanidade veio aperfeiçoando o processo de copiar a escrita, e com o passar dos séculos grandes tiragens já não eram problema.

       
    O processo da fotocópia...
Uma fotocopiadora é um dispositivo de impressão para reprodução de documentos. Uma cópia feita por uma fotocopiadora também é conhecida popular e impropriamente como “xerox”. Seu funcionamento está baseado nos princípios da eletricidade estática e fotocondutividade. Originalmente, no processo conhecido como Light-Lens, um cilindro fotossensível era carregado com eletricidade estática com a imagem refletida do original através de espelhos. Após essa etapa, forma-se uma imagem latente do original na superfície do cilindro. O cilindro recebe uma carga de material conhecido como toner ou tonalizador que é atraído pela carga elétrica que forma a imagem no cilindro. O toner então é transferido para o papel, também através de cargas elétricas e fixado no papel pelo calor e pressão. Nos dias de hoje, a imagem latente formada no cilindro é obtida com o uso de raios lasers ou diodos emissores de luz (LEDs) semelhantes às impressoras a laser.
 
       

Mas e quando indivíduos precisavam de cópias de textos e imagens para serem distribuídas a um número reduzido de pessoas?

A partir dessa demanda foram inventados e reinventados diversos processos. O primeiro sistema baseado em reações físico-químicas foi a heliografia, inventada pelo francês Joseph Nicéphore Niépce (1765-1833) entre o século XVIII e XIX. Esse sistema foi amplamente usado pelo mercado gráfico até uma década atrás para prévias de impressões de fotolitos pelo seu baixo custo e também utilizado pelas primeiras copiadoras. A cópia heliográfica tem tom azulado com qualidade questionável, além do inconveniente uso de vapores de amônia, uma substância tóxica.

A máquina de escrever, criada no século XIX, que é um instrumento de produção de escrita, foi adaptada a fazer cópias ao se datilografar o texto usando o papel carbono.

O mimeógrafo, concebido no início do século XX, usando o papel estêncil e álcool, produzia cópias de baixo custo, permetindo sua ampla utilização, principalmente em escolas, até pouco anos atrás.

Ambos tinham um problema: o número limitado de cópias. Era necessário um processo “bom, bonito e barato” no qual o original se mantivesse independente das cópias feitas.

Nos anos 1930 o americano, Chester F. Carlson (1906-1968) sentiu que o número de cópias de documentos em seu trabalho nunca era suficiente para atender à demanda e não existia no mercado método rápido e seguro de se obter cópias em quantidade e com qualidade aceitáveis. Então Carlson passou meses pesquisando sobre processos de reprodução de imagens e em especial a fotocondutividade.

Na manhã do dia 22 de outubro de 1938, Carlson e seu assistente alemão, Otto Kornei, em um improvisado laboratório no bairro de Astoria, em New York, escreveram com tinta comum em uma lâmina de vidro os dizeres “10-22-38 ASTORIA”. Em seguida cobriram uma placa de zinco com uma fina camada de enxofre e a esfregaram com um lenço de algodão, deixando a placa carregada de eletricidade estática. Depois colocaram a lâmina de vidro sobre a placa metálica e expuseram o conjunto à luz de um refletor. Os raios de luz, conforme previa a teoria, drenaram toda a carga elétrica da chapa metálica deixando incólume somente a região sombreada pela tinta dos dizeres. Pulverizaram a placa metálica com um pó conhecido como licopódio e imediatamente os dizeres “10-22-38 ASTORIA” se tornaram visíveis sob a placa e quando uma folha de papel foi pressionada contra ela, os dizeres transferiram-se para o papel. Estava feita a primeira fotocópia do mundo.

Em 1942, Carlson conseguiu patentear seu invento, e em 1947, uma pequena empresa de produtos fotográficos, chamada Haloid, conquistou o direito de desenvolver o que seriam as primeiras fotocopiadoras em troca de apoio financeiro a Carlson para suas pesquisas. Os envolvidos concordaram que “eletrofotografia”, como batizada por Carlson, tinha pouco apelo mercadológico e por sugestão de um professor de línguas clássicas da universidade de Ohio, mudaram a denominação da técnica para “xerografia”, do grego xerox =seco e grafia=escrita. Em 1958, o sucesso da primeira fotocopiadora, a Xerox Model A, junto ao sucesso dos sucessivos modelos levaram a Haloid a trocar seu nome para Haloid Xerox. Em 1961, após ampla aceitação da Xerox 914, a primeira copiadora automática para escritório que utilizava papel comum de 9x14 polegadas (tamanho ofício), a empresa tornou-se simplesmente “XeroX” por causa da similaridade com o nome de outra famosa empresa, a KodaK.

A marca Xerox ficou tão associada à idéia da fotocópia que é comum o uso da palavra como sinônimo de máquina fotocopiadora ou verbo significando fazer uma fotocópia, tanto nos Estados Unidos como no Brasil.

A fotocópia é um dos mais avançados processos de reprodução de texto e imagem até hoje colocado à disposição da humanidade. Mudou o  nosso dia-a-dia e a  maneira como lidamos com  a produção e registro da liguagem escrita.

Magno Soares é designer gráfico.

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