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Especial
Santana, uma história de amor
por Magno Soares
No fim dos anos 1940, um jovem rapaz movido pela paixão por uma formosa moradora adota Santana como seu lar... Os donos dessa romântica história são os comerciantes fundadores da Copiadora Zona Norte, Affonso Tanso e sua saudosa esposa, Aracy Correa, falecida em julho de 2005.
O Sr. Affonso, como é conhecido na região, conheceu sua esposa, a Dona Aracy, no bairro de Santana, mas ambos vieram de outras regiões: ele da Bela Vista, estando a passeio em Santana e ela de Araraquara, interior de São Paulo, tendo se mudado para Santana por já ter familiares no bairro.
O destino, em sua artimanha, aproximou o casal no momento em que Santana buscava seu crescimento. Celebraram o matrimônio na Igreja Nossa Senhora da Conceição, mas fincaram suas vidas no bairro de Santana, onde consolidaram o “negócio da família” e criaram seus três filhos, Nair, Ronaldo e Ellen, todos educados em colégios de Santana e hoje, casados e pais dos netos do Sr. Afonso e Dona Aracy; Ronaldo presenteou-os com dois netos e uma neta e Ellen com duas, sendo que todos estudaram e ainda estudam em colégios da Zona Norte.
Nem tudo foram flores... O Sr. Affonso lembra que entre as décadas de 1940 e 1960 “o comércio era restrito ao centro da cidade e em Santana existiam poucas indústrias”, das que lembra, temos a “ITA (Indústria de Tapetes Atlântida), Universal Maçanetas e Metalúrgica La Fonte”. E o comércio era caracterizado por empresas quase familiares, que se tornaram tradicionais como “a Padaria Polar, o Rei das Cortinas do saudoso amigo Jamil, a Diolar do saudoso amigo Dionísio, Eletrônica Santana, Casas Vantajosas, Móveis H. Sathô, Tecidos Nagib, Calçados Hollywood, Violões Di Giorgio, Casa Victor, Friolândia, Papelarias Lucas e Valparaíso, Relojoaria Galo, Dental Vieira, Tecidos Marambaia, bancas de jornal do sr. Antônio e do Vingador, o inesquecível sr. José, o pipoqueiro, os cines Hollywood e Vogue, entre tantas outras que acabaram sendo incorporados por grandes redes e shopping centers”.
Vale ressaltar que o cinema Hollywood foi construído em 1941 pela família Bôrtolo, e o cinema Vogue, inicialmente foi batizado de Colon, e ainda existia um terceiro cine, o Orion, que era chamado por seus freqüentadores de “poeira”, pois ao passar seus “seriados”, a garotada batia os pés no assoalho, que era difícil de varrer, fazendo a poeira subir.
Um fato curioso e registrado pelo sr. Affonso foi a descoberta do letreiro da Garagem Santana ainda pintado na fachada do prédio, onde hoje é o Supermercado Pão de Açúcar, na rua Voluntários da Pátria.
Dessa época, o Sr. Affonso também lembra dos principais e tradicionais colégios de Santana, entre eles “o CEDOM (Colégio Estadual Doutor Otávio Mendes), o Albino Cesar, o Buenos Aires, o Prudente de Morais, o Colégio Marilac, o Salesiano e o Colégio Salete”. Sendo que os três primeiros colégios eram públicos, mas sua qualidade de ensino era reconhecida por toda a sociedade de Santana, forçando os colégios a adotarem o “vestibular” para o aceite de novos alunos.
Nesse período a ligação de Santana ao restante da cidade era feita através de bondes, onde encontramos um personagem quase folclórico de Santana, o motorneiro do “bonde 42” que era conhecido como o Bailarino, pois cantava e dançava enquanto dirigia seu bonde. Outro importante meio de transporte de Santana era o Tramway da Cantareira – muito provavelmente, o “Trem das Onze” imortalizado por Adoniran Barbosa –, que contribuiu de forma decisiva para o desenvolvimento de Santana. O Tramway, conhecido como “Cantareira”, operou até julho de 1964 e inspirou a construção do metrô na região que é o marco do desenvolvimento da Zona Norte.
Ainda na década de 1950, os comerciantes do bairro de Santana e adjacências, cansados do descaso público e buscando melhorias para a Zona Norte obtiveram apoio no plano de descentralização da Associação Comercial de São Paulo do então presidente Henrique Bastos Filho, onde fez nascer em 31 de janeiro de 1952 a Distrital de Santana da ACSP. Seu primeiro presidente foi Octavio Zampirollo e nomes importantes para a história de Santana, como Jamil Chamma, entre tantos outros, estiveram à frente da Distrital. (Por sua relevância e importância histórica, a Distrital Santana ACSP é um capítulo à parte, com mais de 50 anos de luta pelo desenvolvimento de Santana, por isso recomendamos àqueles que queiram conhecer mais de sua história, a leitura do livro 1952-2002: Cinqüentenário da Distritral de Santana da ACSP, de Enzo Luiz Bertolini, editado pela ACSP – Santana em 2002.
Na primeira metade dos anos 1960, as primeiras linhas de ônibus começaram a servir a região, o que proporcionou o vislumbre do desenvolvimento, tanto que em 1966 “acreditando no desenvolvimento do bairro de Santana, montamos a Copiadora Zona Norte, na Rua Voluntários da Pátria, onde hoje são os fundos da Ótica Voluntários”, declara o Sr. Affonso.
Também na década de 1960, foi que a Zona Norte ganhou um importante e dedicado meio de comunicação: A Gazeta da Zona Norte, tendo como diretor responsável e editor-chefe o jornalista Ary Silva. A idéia do jornal nasceu através de um grupo de amigos do jornalista, então vereador à Câmara, tomando por base o fato de que muitas de suas iniciativas em favor da Zona Norte não estavam tendo na imprensa diária a divulgação reclamada pela comunidade. A primeira edição circulou em 3 de fevereiro de 1963, e até os dias de hoje, a AGZN pode ser encontrada, com os mesmos ideais, em inúmeros pontos da Zona Norte com distribuição gratuita.
Dois anos após a fundação da Copiadora Zona Norte, em 1968, começou as obras da Linha Norte-Sul, hoje denominada Linha 1-Azul. Em 1972, a primeira viagem do metrô foi realizada entre as estações Jabaquara e Saúde. E em 1975 o projeto da Linha Norte-Sul foi concluído, ligando o Jabaquara a Santana. E se antes do metrô, Santana vislumbrava o desenvolvimento, com a operacionalização da linha Norte-Sul, ele se tornou real, como constatamos nas palavras do Sr. Affonso: “em 1972 transferimos a matriz da Copiadora Zona Norte para a Rua Olavo Egídio e em agosto abrimos a filial na Rua Voluntários, já pela expectativa do desenvolvimento que o metrô deveria trazer para Santana”.
O metrô realmente trouxe o merecido desenvolvimento a Santana e região: universidades, shopings centers, grandes empreendimentos imobiliários e muitas outras grandiosidades.
Além de ser um importante centro comercial de São Paulo, encontramos importantes marcos da cidade na região de Santana, como o Terminal Rodoviário Governador Carvalho Pinto, ou como é mais conhecido, o Terminal Rodoviário Tietê, a maior estação rodoviária da América Latina, inaugurada em maio de 1982. Também encontramos na região o Complexo de Eventos do Anhembi, que engloba um imenso pavilhão de exposições sazonais; o Sambódromo; o aeroporto Campo de Marte; e o Horto Florestal, uma grande e importante reserva florestal, mantendo protegidas inúmeras espécies vegetais e animais nativos, aberta ao público, situada nos altos do Tremembé.
Em 2003 foi inaugurado o Parque da Juventude no terreno antes ocupado pelo Complexo Penitenciário do Carandiru. Que foi implodido para ceder lugar ao parque com grandes áreas verdes e quadras esportivas para uso público. E para fecharmos, não poderíamos deixar de comentar sobre a Igreja Matriz de Santana, parte integrante da vida dos Santanenses, seja através da espiritualidade ou através de seus inúmeros serviços à comunidade. A Paróquia de Santana está a todo o vapor preparando os festejos (que podem ser conferidos aqui) e restaurando seu prédio, pelo dia da padroeira do bairro e pela data que muitos, consideram o aniversário do bairro de Santana, o próximo dia 26 de julho.
Magno Soares é morador da Zona Norte de São Paulo
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