Especial
Pin-ups, beleza feminina sem escracho
Por Magno Soares

Desenhadas ou fotografadas, as pin-ups enfatizam a belezae a sensualidade da mulher sem vulgaridade

Fotografadas, desenhadas ou pintadas, numa revista ou num calendário, as pin-ups em sua grande maioria, eram modelos e atrizes que se deixavam fotografar em poses sensuais e ao mesmo tempo com ar inocente. O termo pin-up foi oficializado em 1941, mas há registro de seu uso em 1890. O estilo pin-up também é conhecido como “cheesecake” (bolo de queijo), ele não retrata mulheres reais, mas fantasiadas: elas são para serem devoradas com olhos, onde mais insinuam do que mostram. Os decotes são generosos, as roupas justas e curtas, mas raramente há nudez. A beleza do corpo feminino não é devassada, mas enfatizada, levando o observador à fantasia daquilo que não é visto.

Oficialmente a precursora do estilo é Theda Bara, além de ser a primeira pin-up é freqüentemente mencionada como a primeira sex symbol e a primeira vamp dos cinemas. Theda atuou em mais de 40 filmes entre 1914 e 1926, mas poucas películas sobreviveram ao incêndio do estúdio da Fox em 1937. Quase sempre, atuou em trajes transparentes e encarnou personagens sensuais, o que incomodou os puritanos americanos e incentivou a criação da PCA (Production Code Administration), que em 1934 baniu os figurinos “imorais” de Hollywood através de várias sanções e multas aos filmes que não tivessem seu “selo de aprovação”.

A PCA interferiu até mesmo na “carreira” da mais famosa pin-up dos desenhos animados, Betty Boop. Criada em 1930 com jeito de “garota independente” e provocadora, sempre com as pernas de fora e exibindo sua cinta-liga, Betty Boop foi considerada “imoral” e censurada. Foi vestida até o pescoço, mas o contorno de seus seios sob malhas colantes foi mantido, deixando-a ainda mais sensual, por isso foi perseguida até o ano de 1939, quando sua exibição nas “telonas” foi proibida. Mas se a intenção era “desaparecer” com a personagem, o tiro saiu pela culatra. Betty Boop ainda hoje é sucesso entre marmanjos e crianças, pois a “imoralidade”, muitas vezes, está nos olhos de quem enxerga e não, necessariamente, naquilo visto.

Entre as pin-ups reais das décadas de 1910 a 1940, são citados nomes como Greta Garbo, Marlene Dietrich, Ginger Rogers, Rita Hayworth, Lana Turner e até mesmo a nossa Carmen Miranda. No intervalo entre a Primeira e Segunda Guerra Mundial, o mundo viu surgir dezenas de desenhistas que criaram calendários, pôsteres e ilustrações no estilo pin-up. Mas para o estilo ser elevado a pop-art, foi necessário a Segunda Guerra, onde as pin-ups foram “convocadas” pelo exército americano para levantar o moral dos soldados, então passaram de símbolo sexual libertino a “deusas guerreiras” personificando a dita mulher americana: segura de si e audaciosa.

Apesar do sucesso e aceitação após a Guerra, foi nos anos de 1950 que as pin-ups atingiram seu auge através das consideradas as mulhers mais belas de todos os tempos: Brigitte Bardot, Cyd Charisse, Sophia Loren, Kim Novak, entre muitas outras.

Bettie Page, a maior e mais querida pin-up

No dia 11 de dezembro de 2008, faleceu Bettie Page aos 84 anos. Page se tornou a mulher mais fotografada do mundo ao combinar doçura e sexualidade em uma – hoje lendária – série de fotografias durante os anos 1950, incluindo o pôster central na primeira revista Playboy, que a chamou de “modelo do século”. Em 1958, no auge da fama, Page encerrou seus dias como modelo e desde então não se permitia ser fotografada para preservar a imagem mítica: “Quero ser lembrada como fui quando era jovem, nos meus tempos dourados. Quero ser lembrada como a mulher que mudou a perspectiva das pessoas a respeito da nudez em sua forma natural”.
 

A mais célebre pin-up é Marilyn Monroe, mas aquela que traduziu o estilo, considerada a encarnação da beleza, eleita uma das mulheres mais fotografada de todos os tempos e que ajudou a provocar a revolução sexual das décadas seguintes, foi Bettie Page, falecida em dezembro de 2008 (veja quadro).

Bettie Page foi clicada pela primeira vez em 1947 e após o estrondoso sucesso e no auge da fama encerrou sua carreira em 1958. Em 2006, em entrevista ao jornal Los Angeles Times, Bettie se justificou: “quero ser lembrada como fui quando era jovem, nos meus tempos dourados (...). Quero ser lembrada como a mulher que mudou a perspectiva das pessoas a respeito da nudez em sua forma natural”. Como dito, as pin-ups são fantasias e apesar de Bettie afirmar, na mesma entrevista, que “não faço idéia de por que sou a única modelo que continuou fazendo tanto sucesso mesmo passado tanto tempo depois de ter parado de trabalhar”, talvez soubesse que para a fantasia perdurar a realidade não podia sobrepô-la.

Hoje, as pin-ups são consideradas desvalidas e fundamentalmente pudicas: os homens permanecem fora do cenário; as partes genitais nunca mostradas; e a nudez total jamais apresentada; algo que em tempos de liberação sexual – ou seria libertinagem sexual? – não tem mais espaço... A nudez e o sexo tem que ser escrachados. Todos são somente corpos a serem expostos e não mais apreciados.

 

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