Espiritualidade
Nos passos da Paz
por Cláudia Bredarioli

Na história de Abraão reside uma perspectiva de aproximação entre cristãos, muçulmanos e judeus no Oriente Médio. A meta pode ser atingida por meio da iniciativa chamada Caminho de Abraão, que pretende levar turistas do mundo a trilhar o percurso que o patriarca teria feito há 4 mil anos em busca da Terra Prometida

Convicção de que a voz humana tem o poder de soar mais alto do que as armas é o que move o antropólogo William Ury e um grupo de pessoas de várias partes do mundo ligadas a ele – a se empenhar no desenvolvimento de uma iniciativa que permita a aproximação entre os povos do Oriente Médio, combinada ao crescimento econômico sustentável da região. A proposta de organizar uma trilha de peregrinação, o Caminho de Abraão, em torno da história do patriarca das maiores religiões monoteístas do mundo (cristianismo, judaísmo e islamismo) visa buscar, na simbologia histórica, elementos humanos que mostrem todos como uma família. E por esse “todos” entenda-se mais da metade da população do planeta adepta dessas religiões.

Nas últimas décadas do século 20, os conflitos geopolíticos e econômicos no Oriente Médio, considerados religiosos em muitos aspectos, têm sido alvos de outras tantas iniciativas louváveis que põem olho na região em busca de soluções. Elas podem ter alcance global – como o projeto Coexistence, que teve até apoio de Bono Vox, líder da banda U2, movimentando ações em vários países, inclusive no Brasil, onde uma grande exposição foi instalada no Parque do Ibirapuera, em São Paulo –, ou ser de caráter local, como faz a YMCA (que tem a sigla ACM, no Brasil), em Jerusalém, reunindo jovens árabes e israelenses em atividades esportivas, políticas e educacionais freqüentes.

Contudo, essas ações, que se baseiam nas mesmas perspectivas de paz, distanciam-se por vezes das questões religiosas e, conseqüentemente, da condição simbólica. É neste aspecto que o Caminho de Abraão inova, por calcar-se em uma história de fé e, assim, no simbolismo, segundo defende o rabino brasileiro Nilton Bonder, que participou do primeiro grupo a peregrinar por trechos do Caminho em 2006. “Acho que esta iniciativa tem uma qualidade diferente das que vão diretamente tentar sarar as feridas e mágoas da região. Ela se propõe a contar uma história e, por meio dela, promover cicatrizações. Contar uma história, mergulhar no espaço simbólico, desfaz os personagens e torna menos pessoais as questões que dizem respeito ao conflito”, comenta Bonder, autor, entre outros livros, de Tirando os sapatos, no qual conta sua experiência.

Essa história, porém, não se baseia em certezas, pois não há prova científica de que Abraão existiu. O homem escolhido por Deus como patriarca aos 75 anos e casado com uma mulher estéril era pastor de cabras e quase sacrificou o filho, nascido por milagre, para provar sua fé. O texto bíblico é a única referência que permite recontar sua história, mas trata-se de uma referência comum às três religiões. A figura de Abraão tem destaque nas páginas da Bíblia, da Torá e do Corão, mas os registros são bastante desencontrados. Para traçar o trajeto, a equipe de Ury despendeu anos de trabalho. Além de referências colhidas nas escrituras de judeus, cristãos e muçulmanos, o grupo se baseou na tradição local e nas histórias contadas oralmente para recompor o trajeto. Assim, ainda que tome como base uma história de fé, o projeto é apolítico e não religioso, mas considera o fato de que a religião está arraigada na região. E o antropólogo é um exímio conhecedor das três religiões.

Exposição: O projeto Coexistence convocou e reuniu numa belíssima exposição, artistas ao redor do planeta para levar
a mensagem universal da diversidade e da necessidade de aceitação do outro à comunidade mundial.
Começou em 2001 em Jerusalém, teve adesão de estrelas pop como Bono Vox, e já passou, por exemplo,
por Sorajevo, Berlim, São Paulo, Washington e continua em turnê internacional pregando tolerância e paz.
Saiba mais em www.coexistence.art.museum

 

Identidade comum
O projeto toma a história de Abraão como base, entre outros motivos, porque a partir dele é possível resgatar uma identidade comum aos povos da região. E, nesse aspecto, a percepção religiosa também parece acompanhar a genética – apesar dos mais de 50 anos de conflito entre israelenses e árabes e da onda de violência no Oriente Médio, que incentivam a crença de que os dois povos vêm de mundos antagônicos. Já se provou até que eles compartilham uma linha genética que remonta a milhares de anos e têm um ancestral comum. Assim, a despeito das visões extremistas de ambos os lados, árabes – sejam palestinos, sírios, libaneses, muçulmanos ou cristãos – e judeus de qualquer procedência podem ser considerados irmãos.

Mais do que se identificarem como irmãos, porém, é preciso que conheçam e respeitem suas diversidades para que a paz se estabeleça. “O Caminho é um ensaio sobre o olhar para o outro, sobre a escuta do outro. Nesse sentido, Abraão transcende apenas o aspecto de ser patriarca ou profeta das religiões. É de Abraão que vem esse ensinamento pacifista de acolhimento e hospitalidade em relação ao outro. Sem fazermos lugar para o outro, sem nos colocar como anfitriões da diversidade, nunca haverá paz lá ou em qualquer outro lugar. A voz de Deus está na diversidade. Sublinhar o que temos em comum em vez das diferenças”, ressalta Bonder.

É este aspecto de aproximação do outro que o projeto visa propiciar por meio da peregrinação. Trata-se de algo que vai além das viagens de turismo ou negócio – que representam sempre uma mudança de ponto de vista –, porque o peregrino precisa confiar nas pessoas. “As caminhadas têm o valor maior de nos ensinar de forma incontestável sobre nossa transitoriedade. É necessário tirar os conceitos e percepções já amoldados, configurados ao que queremos ver, ouvir e entender. Sem esse ato de despojamento, não vamos nos escutar, apenas, na melhor das hipóteses, fazer concessões que serão cobradas de forma cruel”, afirma o rabino.

Se para quem vai ser peregrino é preciso despojar-se das amarras, para quem o recebe é preciso ser hospitaleiro, abrir lugar para o outro. E na unanimidade sobre a magia da boa hospitalidade nos países do Oriente Médio reside grande parte do segredo para que a iniciativa prospere. “Vale a pena conhecer a região e verificar com os próprios olhos como é intensa a disposição de acolher bem o outro e respeitar os valores vinculados a Abraão, como a fé, a esperança, a obediência a Deus, a hospitalidade e o respeito à diversidade, que podem servir de exemplo para que os seres humanos, independentemente da religião, da aparência, do sexo, da condição social e da origem, se vejam e sejam tratados como irmãos. Irmãos em Abraão, nesta grande família da humanidade, a família de Abraão”, escreve Paulo Daniel Farah, estudioso da cultura árabe e autor do infanto-juvenil ABC do mundo árabe.

Mas, sem fugir do lugar-comum, há pedras no caminho. As dificuldades para finalizar todas as etapas são muitas. A perspectiva é de que, a partir de 2010, o Caminho esteja todo liberado. Até lá, Ury tem como foco continuar com as negociações. “As pessoas no Oriente Médio são receosas de maneira geral. E é fácil compreender isso se olharmos para a história de destruição pela qual passaram. Às vezes, por exemplo, em determinadas regiões, eles nos dizem que não confiam em nós. Então, precisamos procurar outras pessoas para serem parceiras, outros lugares para acomodar os viajantes. É preciso muita, muita conversa. É preciso também saber ficar calado às vezes”, diz, lembrando que autoconhecimento e compreensão do próximo também vêm do silêncio que está por trás desses passos em direção à paz.

No Brasil
E o poder aglutinador brasileiro tem ganhado destaque neste cenário. “O Brasil tem sido um dos países-chaves nesta iniciativa dando suporte em várias frentes, com muita contribuição financeira, com muito entusiasmo, com muitas pessoas participando do caminho, dando idéias, fazendo divulgação na mídia. A cultura da fraternidade brasileira é muito conhecida. Em todos os países do Oriente Médio as pessoas gostam do Brasil”, confirma Ury.

“Acho que, por ser brasileiro, tive muita facilidade para estabelecer contato com as pessoas. Eles sempre listavam os jogadores de futebol. Realmente a hospitalidade chama a atenção”, confirma Pedro Fida, de formação católica, que voltou recentemente da região, após ter trilhado o trecho palestino durante uma semana com um grupo de jovens de várias partes do mundo, recepcionados por estudantes palestinos.

“Queremos vencer o preconceito com informação”, acrescenta Fernando Latorre, responsável pelo Caminho de Abraão no Brasil. Segundo ele, a idéia é propiciar o diálogo embasado em uma perspectiva interdisciplinar, religiosa e multicultural, a fim de promover a ética de valorização da diversidade, que tem como ponto de partida o ancestral comum do judaísmo, do cristianismo e do islamismo. Assim, as religiões abraâmicas são convidadas a se comunicar umas com as outras, a partilhar o patrimônio comum da misericórdia e da fraternidade, o que vai além das fronteiras das nações e das culturas, como fazem no Brasil. E finaliza: “A imagem do Brasil é muito positiva neste sentido. O país pode ser um exemplo de que existe espaço para as religiões coexistirem”.

Fonte: Revista da Cultura, n.17, dezembro de 2008

 

Espiritualidade
A Bíblia
É o mapa do viajante, o cajado do peregrino, a bússola do piloto, a espada do soldado e o guia do cristão. Por ela o paraíso é restaurado, os céus abertos e as portas do inferno descobertas.

 

Espiritualidade
Dias dos Santos e datas religiosas e comemorativas do mês de fevereiro
Fonte: Folhinha Sagrado Coraçao de Jesus 2009. Sao Paulo: Editora Vozes

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Henrique Morse, Severo e Veridiana
Dia do Publicitário
Catarina de Ricci, Feliciano de Roma e Joana de Lestonnac
Dia do Religioso e do Agente Fiscal
Brás de Sebaste, Oscar e Celerina
José de Leonissa, Remberto e Joana de Valois
Águeda, Genuíno e Adelaide de Vilich
Dia do Datiloscopista
Paulo Miki, Dorotéia e Gastão
Ricardo de Toscana, Coleta e Eugênia Smet
Dia Nacional do Gráfico
Jerônimo Emiliani, Josefina Bakhita, Ciríaco e Juvêncio
Alexandre de Roma, Apolônia e Donato
Escolástica, Guilherme de Maleval e Silvano
Dia do Atleta Profissional
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Nsa. Sra. De Lourdes, Pascoal I e Lúcio
Dia Mundial do Enfermo
Eulália, Antônio de Constantinopla e Etevaldo
Benigno, Estevão de Rieti e Ermelinda
Cirilo, monge; Metódio; e Valentim
Jovita, José de Antioquia e Geórgia
Elias, Jeremias, Daniel e Gilberto de Semprigham
Dia do Repórter
Sete Santos Fundadores da Ordem dos Servitas, Rômulo, Silvino e Reginaldo de Orleans
Flaviano, Heládio e Cláudio
Conrado de Placença, Álvaro de Córdova e Gabino
Dia do Esportista
Eleutério, Zenóbio, Leão de Catânia e Nilo
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Pedro Damião, Sérvulo e Fortunato
Abílio, Maximiano, Lineu e Margarida de Cortona
Dia do Pensamento
Policarpo, Sereno e Romana
Dia Nacional do Rotary
Sérgio, Montano e Ediberto
Carnaval
Cesário de Nazianzo, Hereno e Vítor
Início da Quaresma e da Campanha da Fraternidade (tempo de penitência e conversão)
Deodoro, Porfínio e Nestor
Leandro de Sevilha, Valdomiro e Besas
Dia dos Idosos
Justo, Romão e Serapião

 

              Espiritualidade
          Oração do mês de fevereido
              (Irmã Sônia de Fátima Marani Lunardelli, TCSF - sonialunatc@yahoo.com.br)

Senhor Jesus, que teu apelo exigente de conversão não me intimide, antes me estimule a mudar radicalmente meu modo de agir. A cruz que aceitei por teu amor, ajuda-me a carregá-la como a perseverança de discípulo(a). Ajuda-me a compreender o valor da esmola, da oração e do jejum, feitos em segredo, para serem vistos apenas pelo Pai. Concede-me um coração solidário e misericordioso, capaz de aproximar-me de quem necessita de salvação e assim eu possa reconhecer-te no rosto das minhas irmãs e irmãos cuja existência e dignidade estão ameaçadas.

 

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