Saúde & bem-estar

A AIDS ainda existe, é uma doença grave e deve ser prevenida
Por Magno Soares
Todos estão expostos a AIDS, independente de orientação sexual, sexo, idade ou estilo de vida
Segundo Mário Scheffer, integrante da ONG Pela Vidda, no Brasil, onde a epidemia está estabilizada, a AIDS continua sendo “um problema gravíssimo de saúde pública, especialmente entre as mulheres acima dos 50 anos”.
O Ministério da Saúde, no dia 13 de fevereiro, divulgou que a incidência de AIDS entre mulheres com idade de 50 a 64 anos passou de 3,7 casos por 100 mil, em 1996, para 11,6 por 100 mil em 2006. No total, 47.431 brasileiros com mais de 50 anos têm AIDS. Somando todas as faixas etárias, o País registrou até junho do ano passado 506 mil casos da doença.
Quem vê cara não vê coração!
Como a campanha publicitária da United Colors
of Benetton enfatiza, a AIDS é silenciosa
e muitas vezes, até mesmo os portadores
desconhecem ter a doença.
Uma advogada gaúcha, hoje coordenadora do Movimento Nacional da Cidadã Posithiva na Região Sul, descobriu que tinha o vírus aos 50 anos. “Sou caretíssima, não bebo, nunca fumei, não entendia porque estavam me pedindo aquele exame (HIV). Fiz o teste, deu positivo”, lembra ela, hoje com 60 anos. A doença foi contraída do segundo marido, que morreu em 1992, sem nunca ter a doença diagnosticada. Quando descobriu ser soro-positivo, a advogada já havia se casado de novo. O terceiro marido fez os testes que deram negativo. “Vivemos uma relação sorodiscordante por dez anos, até ele morrer de câncer”, conta. “Aprendi a usar camisinha com 50 anos”. Com três filhos e quatro netos, ela afirma que não sofre preconceito da família, mas da sociedade. “Existe um mito de que é um risco conviver conosco, mas risco é transar sem camisinha”.
Para a advogada, a campanha do Ministério da Saúde, lançada mês passado, com foco em sua faixa etária, é extremamente importante porque a sua geração “não se toca, não se olha, acha que é só cuidar da pele e do rosto, mas tem que cuidar da sexualidade também”. E complementa: “A gente sempre pensa que sexualidade e AIDS são coisas para jovem. E não são.”
Atualmente, muitos falam em categorizar a AIDS como uma doença crônica e não mais fatal por causa do uso dos “coquetéis”. Mas os portadores do HIV sofrem com os efeitos colaterais dos remédios, além de já ter sido noticiado um caso nos EUA, cujo vírus era resistente a todos os medicamentos.
Não há cura para a AIDS e mesmo que exista o tratamento, no mínimo, ser portador do HIV vai causar constrangimento ao portador e sofrimento àqueles a sua volta. A única maneira eficaz de estar livre da AIDS é a prevenção e conscientização. O uso da camisinha nas relações sexuais é indispensável em qualquer idade.
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